quinta-feira, 11 de março de 2010

Foliã Enlouquecida


Por você, eu não me incomodaria em ficar sempre por perto, de bico fechado, me oferecendo para ventilar, vai mais um cafezinho, se for preciso limpo o chão. Não, Amelie demais. Por você eu viro só riso, visto as roupas mais lindas pra impressionar, ajeito o penteado em movimentos estudados, elegante assim. Não. Por você sou desgrenhada, caninos à mostra, vestido de fendas, risada rouca, um pouco amarga. Já sei: por você eu sou carnaval o ano inteiro, fadinha muito mansa ou foliã enlouquecida, mímico ou palhaço de nariz vermelho. Confetes nos cabelos. a flor nos cabelos é vaidade de que não abre mão, oferecendo o pescoço com a timidez dos ombros curvados. Sabe-se que as extremidades destoam do corpo infantil: mãos e pés grandes demais, apenas notados em tropeços e tremeliques (não raros), e é claro, as unhas redondinhas roídas até o sabugo, que desmascaram a aflição de menina, sem esquecer das pernas cruzadas crispadas em joelhos e preguiça de deixar essa vida e essa doçura.

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