Por você, eu não me incomodaria em ficar sempre por perto, de bico fechado, me oferecendo para ventilar, vai mais um cafezinho, se for preciso limpo o chão. Não, Amelie demais. Por você eu viro só riso, visto as roupas mais lindas pra impressionar, ajeito o penteado em movimentos estudados, elegante assim. Não. Por você sou desgrenhada, caninos à mostra, vestido de fendas, risada rouca, um pouco amarga. Já sei: por você eu sou carnaval o ano inteiro, fadinha muito mansa ou foliã enlouquecida, mímico ou palhaço de nariz vermelho. Confetes nos cabelos. a flor nos cabelos é vaidade de que não abre mão, oferecendo o pescoço com a timidez dos ombros curvados. Sabe-se que as extremidades destoam do corpo infantil: mãos e pés grandes demais, apenas notados em tropeços e tremeliques (não raros), e é claro, as unhas redondinhas roídas até o sabugo, que desmascaram a aflição de menina, sem esquecer das pernas cruzadas crispadas em joelhos e preguiça de deixar essa vida e essa doçura.
Nenhum comentário:
Postar um comentário