Não é que ele não gostasse do lugar onde estava, ele era feliz ali. Mas ele sabia que havia um mundo muito maior a sua espera, um mundo muito melhor.
Ele não queria ser ingrato, mas há tempo o castelo não mudara, e suas pedrinhas quase não mudavam de posição. A cor da parede continuava vermelha, e o velho retrato preto e branco de um jardim possivelmente colorido continuava intacto no centro da parede.
A vontade de mudar se tornava angustiante com o passar dos dias, a vontade do novo. Mesmo não sabendo o que esse novo reservava.
Ele tinha pena de largar tudo, pois afinal, com a sua partida o castelinho se sentiria solitário. Justo ele, que esteve sempre ao seu lado, lhe protegendo nas noites barulhentas, dos dedos tortos e sujos das crianças, do gato mesclado de olhos laranja.
Partir era difícil, ainda mais quando falamos de um mundo desconhecido e geralmente sem volta. Mas às vezes, na maioria das vezes, necessário.
Porém havia o vidro, e isso realmente o encantava. O vidro lhe dava o infinito. Era como água sólida e quentinha. Era como, era como, era como... ele não sabia explicar o quanto era.
Mas ele também não podia esquecer das pedras. Tão coloridas, tão pequeninas que o faziam se sentir gigante. Às vezes, quando perdia o sono, ele pensava nelas. O seu colorido ficaria sem saturação se não fossem as pedrinhas que tonalizavam o ambiente.
E no fundo, ele até gostava da parede vermelha, e o quadro descolorado lhe dava a sensação de ser ainda mais vivo.
E então ele ficou.

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